1. D
2. A menor participação do Estado na economia e a conseqüente diminuição de impostos e tarifas libera investimentos e aumenta o consumo (pois as pessoas passam a ter mais dinheiro), e com isso a economia cresce mais, uma vez que mais consumo gera mais necessidade de produção, daí mais oferta de emprego e mais consumo. Além disso, sem o Estado há mais competitividade e produtividade fazendo com que a população tenha acesso a produtos melhores e mais baratos em todo o mundo.
3. O Estado precisa participar ativamente da economia para garantir a todos condições mínimas de se inserirem no mercado seja como mão-de-obra, seja como mercado consumidor. Como o mercado capitalista passa por crises, convive com o desemprego e tende a substituir os empregados com idade avançada, cabe ao estado garantir renda aos desempregados e aos idosos (aposentados). Com isso ele ainda incentiva o ciclo de crescimento econômico, pois aumenta o consumo, gerando mais necessidade de produção, mais empregos, etc.
4. E
5. A
6. A
7. Socialistas: A liberdade só pode ser exercida por aqueles que não são obrigados a vender sua força de trabalho e a serem explorados. No capitalismo não há outra alternativa para os trabalhadores. Além disso, não é justo que uma pessoa tenha mais acesso a mercadorias do que outras, ainda mais quando uma trabalha mais do que a outra. No capitalismo, burgueses que nem trabalham muitas vezes ganham muito mais que trabalhadores explorados que trabalham a semana inteira, isso não é justo.
Capitalistas: Injusto é que todos ganhem a mesma coisa independente de seus méritos do que fizeram para conseguir suas riquezas, ou que nem mesmo possam aproveitá-las e garantir um futuro para seus filhos, como no socialismo. Além disso como pode ser livre uma sociedade onde o sujeito não tem sequer o direito de ter uma propriedade privada conseguida com seu trabalho?
8. B
9. C
10. C
11. O liberalismo defende que o estado participe o menos possível da economia. Após uma época de intervencionismo estatal forte, os Estados no geral possuíam muitas empresas. Nada mais coerente que a volta do liberalismo defendesse que o estado vendesse essas empresas para o capital privado, incentivasse a concorrência e se limitasse a garantir um ambiente competitivo onde, segundo os liberais, todos saem ganhando.
12. D
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Gabarito 2º ano - 2º trim. 2008
1. E
2. Os migrantes ao chegarem a uma região normalmente vão à procura de trabalho. Dessa forma já se transformam em mão-de-obra. Quando conseguem alguma renda (por menor que seja) também se tornam mercado consumidor. Ao aumentarem a mão-de-obra e o mercado consumidor de uma região ajudam a aumentar a riqueza produzida e incentivam o ciclo de crescimento econômico, uma vez que com mais consumo temos necessidade de uma maior produção, que por sua vez para ser alcançada precisa de mais mão-de-obra, que uma vez empregada aumenta o consumo e a necessidade de produção...
3. Malthusianos: Por terem muitos filhos é que os africanos são pobres. Assim, não conseguem garantir a eles condições de superar a pobreza, pois os filhos têm que trabalhar cedo, não estudam, continuam pobres e têm muitos filhos, perpetuando o ciclo de pobreza.
Anti-Malthusianos: Por serem pobres os africanos têm muitos filhos. Enquanto não for garantido a eles condições mínimas de sustento, informação e possibilidades de crescimento profissional eles continuarão a ter muitos filhos.
4. A
5. B
6. C
7. A base: ficou mais estreita o que indica que a taxa de natalidade diminuiu. Nascendo menos crianças a base fica menor; não afunila mais constantemente, indicando que a mortalidade infantil também diminuiu, pois como morrem menos crianças não há um contínuo estreitamento da base.
O centro: ocupa uma parte maior do total da pirâmide indicando que o número de adultos cresceu proporcionalmente, ou seja, a PEA está mais numerosa.
O topo: Alargou-se consideravelmente, o que indica que o número de idosos cresceu muito. Houve um envelhecimento da população e consequentemente um aumento da expectativa de vida.
Tudo isso indica que há mais acesso à saúde, saneamento básico e a informação do que antes, todos fatores que permitem concluir que a qualidade de vida melhorou.
8. A
9. D
10. E
11. Porque para ser um país desenvolvido o país precisa ter melhores índices de renda, saúde, educação, desigualdade social, etc. Apesar disso, o Brasil tem um setor terciário inchado, pois é um país industrializado. Assim, há muitas máquinas que substituem trabalhadores nos três setores da economia. Por ser o setor de serviços e possibilitar uma série de atividades geradoras de renda mesmo para trabalhadores sem especialização, o setor terciário de países industrializados é sempre mais inchado.
12. B
2. Os migrantes ao chegarem a uma região normalmente vão à procura de trabalho. Dessa forma já se transformam em mão-de-obra. Quando conseguem alguma renda (por menor que seja) também se tornam mercado consumidor. Ao aumentarem a mão-de-obra e o mercado consumidor de uma região ajudam a aumentar a riqueza produzida e incentivam o ciclo de crescimento econômico, uma vez que com mais consumo temos necessidade de uma maior produção, que por sua vez para ser alcançada precisa de mais mão-de-obra, que uma vez empregada aumenta o consumo e a necessidade de produção...
3. Malthusianos: Por terem muitos filhos é que os africanos são pobres. Assim, não conseguem garantir a eles condições de superar a pobreza, pois os filhos têm que trabalhar cedo, não estudam, continuam pobres e têm muitos filhos, perpetuando o ciclo de pobreza.
Anti-Malthusianos: Por serem pobres os africanos têm muitos filhos. Enquanto não for garantido a eles condições mínimas de sustento, informação e possibilidades de crescimento profissional eles continuarão a ter muitos filhos.
4. A
5. B
6. C
7. A base: ficou mais estreita o que indica que a taxa de natalidade diminuiu. Nascendo menos crianças a base fica menor; não afunila mais constantemente, indicando que a mortalidade infantil também diminuiu, pois como morrem menos crianças não há um contínuo estreitamento da base.
O centro: ocupa uma parte maior do total da pirâmide indicando que o número de adultos cresceu proporcionalmente, ou seja, a PEA está mais numerosa.
O topo: Alargou-se consideravelmente, o que indica que o número de idosos cresceu muito. Houve um envelhecimento da população e consequentemente um aumento da expectativa de vida.
Tudo isso indica que há mais acesso à saúde, saneamento básico e a informação do que antes, todos fatores que permitem concluir que a qualidade de vida melhorou.
8. A
9. D
10. E
11. Porque para ser um país desenvolvido o país precisa ter melhores índices de renda, saúde, educação, desigualdade social, etc. Apesar disso, o Brasil tem um setor terciário inchado, pois é um país industrializado. Assim, há muitas máquinas que substituem trabalhadores nos três setores da economia. Por ser o setor de serviços e possibilitar uma série de atividades geradoras de renda mesmo para trabalhadores sem especialização, o setor terciário de países industrializados é sempre mais inchado.
12. B
Gabarito 1º ano - 2º trim. 2008
1. C
2a. De várias formas. A mais direta delas é com a exportação do petróleo excedente. Além disso, podemos destacar também que se essas novas reservas tiverem o potencial de produção anunciado, o Brasil passaria a ter uma oferta de energia que poderia atrair mais indústrias e outros tipos de investimentos para o país, pois os investidores teriam garantia de energia. Com esses investimentos teríamos mais produção e mais emprego, aumentando a economia do Brasil.
2b. Possuindo grandes reservas de energia e até se tornando exportador, o país passa a vender um tipo especial de mercadoria, pois qualquer mercadoria em nossa sociedade industrializada consome energia em alguma etapa de seu processo de produção. Ou seja, a produção de riqueza de qualquer país do mundo depende da oferta de energia. Portanto, além dos benefícios econômicos a posse de recursos energéticos confere ao país uma importância estratégica, aumentando seu poder geopolítico.
3. 11 (1+2+8)
4. EUA. Porque tem uma economia muito maior (a maior do mundo), o exército mais poderoso do mundo, e uma cultura muito mais influente que a cultura islandesa. Isso faz com que os EUA tenham uma influência muito maior nas decisões e mesmo no futuro do planeta do que a Islândia. Sua força (econômica e política) garante a ele o poder de influenciar os outros seja com “argumentos” econômicos ou militares.
5. D
Parte II
6. A
7. B
8. D
9. Porque, pela Teoria da tectônica de placas, é no encontro entre as placas que ocorrem mais e os maiores terremotos, bem como é próximo aos seus limites que a atividade vulcânica é mais intensa. As fraturas entre as placas facilitam a saída do magma bem como pode causar tremores mais intensos, devido à movimentação das próprias placas.
10. Água e vento. Os dois agentes moldam o relevo por conta do atrito de seus movimentos (intemperismo físico) e da ação química causada pelo contato com o relevo. Sua composição química diferenciada entra em contato com uma parte do relevo e com o passar dos anos pode modificá-lo.
11. A
2a. De várias formas. A mais direta delas é com a exportação do petróleo excedente. Além disso, podemos destacar também que se essas novas reservas tiverem o potencial de produção anunciado, o Brasil passaria a ter uma oferta de energia que poderia atrair mais indústrias e outros tipos de investimentos para o país, pois os investidores teriam garantia de energia. Com esses investimentos teríamos mais produção e mais emprego, aumentando a economia do Brasil.
2b. Possuindo grandes reservas de energia e até se tornando exportador, o país passa a vender um tipo especial de mercadoria, pois qualquer mercadoria em nossa sociedade industrializada consome energia em alguma etapa de seu processo de produção. Ou seja, a produção de riqueza de qualquer país do mundo depende da oferta de energia. Portanto, além dos benefícios econômicos a posse de recursos energéticos confere ao país uma importância estratégica, aumentando seu poder geopolítico.
3. 11 (1+2+8)
4. EUA. Porque tem uma economia muito maior (a maior do mundo), o exército mais poderoso do mundo, e uma cultura muito mais influente que a cultura islandesa. Isso faz com que os EUA tenham uma influência muito maior nas decisões e mesmo no futuro do planeta do que a Islândia. Sua força (econômica e política) garante a ele o poder de influenciar os outros seja com “argumentos” econômicos ou militares.
5. D
Parte II
6. A
7. B
8. D
9. Porque, pela Teoria da tectônica de placas, é no encontro entre as placas que ocorrem mais e os maiores terremotos, bem como é próximo aos seus limites que a atividade vulcânica é mais intensa. As fraturas entre as placas facilitam a saída do magma bem como pode causar tremores mais intensos, devido à movimentação das próprias placas.
10. Água e vento. Os dois agentes moldam o relevo por conta do atrito de seus movimentos (intemperismo físico) e da ação química causada pelo contato com o relevo. Sua composição química diferenciada entra em contato com uma parte do relevo e com o passar dos anos pode modificá-lo.
11. A
O novo poder
Sociólogo alemão diz que as ideologias acabarame que o Estado, a liberdade de mercado e as ONGs vão formar a nova ordem social
Publicada na Veja 08/04/98.
Professor da Universidade Humboldt, em Berlim, o sociólogo alemão Claus Offe, de 58 anos, é uma voz destoante entre os cientistas sociais. Acredita que a era das ideologias terminou, que a diminuição exagerada do Estado pode ser um risco para a democracia e que está em curso uma gigantesca reforma nas relações do cidadão com o governo. Ao lado do Estado e do mercado, entidades comunitárias como as ONGs e as igrejas vão formar uma nova ordem social. Na semana passada, Offe defendeu suas teses num seminário, em São Paulo, sobre a reforma do Estado. Foi aplaudidíssimo por uma platéia de sociólogos e economistas. Depois da palestra, jantou com o presidente Fernando Henrique Cardoso na casa do ministro Luiz Carlos Bresser Pereira. Casado, pai de duas filhas, Offe gosta de música clássica e de pescarias. "Mas infelizmente tenho pouco tempo para o lazer", lamenta. Depois de um roteiro que incluiu aulas na Austrália e no Chile e antes do retorno a Berlim, Offe deu a seguinte entrevista a VEJA:
Professor da Universidade Humboldt, em Berlim, o sociólogo alemão Claus Offe, de 58 anos, é uma voz destoante entre os cientistas sociais. Acredita que a era das ideologias terminou, que a diminuição exagerada do Estado pode ser um risco para a democracia e que está em curso uma gigantesca reforma nas relações do cidadão com o governo. Ao lado do Estado e do mercado, entidades comunitárias como as ONGs e as igrejas vão formar uma nova ordem social. Na semana passada, Offe defendeu suas teses num seminário, em São Paulo, sobre a reforma do Estado. Foi aplaudidíssimo por uma platéia de sociólogos e economistas. Depois da palestra, jantou com o presidente Fernando Henrique Cardoso na casa do ministro Luiz Carlos Bresser Pereira. Casado, pai de duas filhas, Offe gosta de música clássica e de pescarias. "Mas infelizmente tenho pouco tempo para o lazer", lamenta. Depois de um roteiro que incluiu aulas na Austrália e no Chile e antes do retorno a Berlim, Offe deu a seguinte entrevista a VEJA:
Veja — Existe tamanho certo para o Estado?
Offe — A melhor resposta para essa pergunta é "não sei". Não há solução padrão para todos os países. Mas uma coisa é certa: as atribuições do Estado, o seu poder na vida cotidiana, não devem ser decididos por cientistas sociais, economistas ou burocratas do governo. Quem deve decidir isso são os cidadãos.
Offe — A melhor resposta para essa pergunta é "não sei". Não há solução padrão para todos os países. Mas uma coisa é certa: as atribuições do Estado, o seu poder na vida cotidiana, não devem ser decididos por cientistas sociais, economistas ou burocratas do governo. Quem deve decidir isso são os cidadãos.
Veja — Mas existe então um tamanho errado para o Estado?
Offe — Sim, pode-se dizer que a experiência já demonstrou alternativas ruins. Veja o caso do Estado mínimo. Durante o governo da primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher, seus assessores econômicos afirmavam que a única opção de eficiência era a redução drástica do tamanho do Estado. Eles chegaram a criar uma sigla, Tina (Não Há Alternativa). Isso é um erro.
Offe — Sim, pode-se dizer que a experiência já demonstrou alternativas ruins. Veja o caso do Estado mínimo. Durante o governo da primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher, seus assessores econômicos afirmavam que a única opção de eficiência era a redução drástica do tamanho do Estado. Eles chegaram a criar uma sigla, Tina (Não Há Alternativa). Isso é um erro.
Veja — Por quê?
Offe — A diminuição do Estado pela diminuição do Estado é um dogma assim como a defesa cega do estatismo. Um Estado bom não é um Estado pequeno, mas aquele que atende com mais eficiência aos anseios dos cidadãos.
Offe — A diminuição do Estado pela diminuição do Estado é um dogma assim como a defesa cega do estatismo. Um Estado bom não é um Estado pequeno, mas aquele que atende com mais eficiência aos anseios dos cidadãos.
Veja — No Brasil, durante anos o governo foi responsável por atividades como a produção de vagões de trem, aviões, aço, petroquímicos e até gerenciou hotéis e fazendas. Quando o senhor ataca a redução do Estado, não está defendendo um Estado grandalhão?
Offe — De forma alguma. Há vários sintomas do mau funcionamento de um Estado gigante, como a demora em se renovar, a corrupção e a proteção dos interesses corporativos dos servidores públicos em detrimento dos contribuintes.
Offe — De forma alguma. Há vários sintomas do mau funcionamento de um Estado gigante, como a demora em se renovar, a corrupção e a proteção dos interesses corporativos dos servidores públicos em detrimento dos contribuintes.
Veja — Países desenvolvidos resolveram a questão do tamanho do Estado de forma diferente. Nos Estados Unidos, o Estado não oferece amplo serviço de saúde, mas pode fiscalizar a atividade do setor privado. Na Dinamarca, como em outros países europeus, o Estado tem fortíssima atuação nos serviços sociais e ainda participa da economia. O que há de similar nessas duas experiências?
Offe — Não é a cultura que determina essas diferenças, mas a estrutura das suas instituições. Na situação excepcional do pós-guerra, os governos britânicos, tanto do Partido Trabalhista quanto do Conservador, reconstruíram o sistema de saúde. Isso gerou uma expectativa que passou de geração para geração sobre o papel do Estado. Os cidadãos saíam de casa sabendo que tinham onde se amparar caso acontecesse alguma coisa. Já nos Estados Unidos isso nunca ocorreu
, porque as instituições são baseadas no federalismo, que torna quase impossível a existência de um sistema aceito por todos os Estados. Lá, a expectativa sempre se baseou em ter uma chance de alcançar o "sonho americano" através de direitos iguais e independência em relação ao governo central.
Offe — Não é a cultura que determina essas diferenças, mas a estrutura das suas instituições. Na situação excepcional do pós-guerra, os governos britânicos, tanto do Partido Trabalhista quanto do Conservador, reconstruíram o sistema de saúde. Isso gerou uma expectativa que passou de geração para geração sobre o papel do Estado. Os cidadãos saíam de casa sabendo que tinham onde se amparar caso acontecesse alguma coisa. Já nos Estados Unidos isso nunca ocorreu
, porque as instituições são baseadas no federalismo, que torna quase impossível a existência de um sistema aceito por todos os Estados. Lá, a expectativa sempre se baseou em ter uma chance de alcançar o "sonho americano" através de direitos iguais e independência em relação ao governo central.Veja — Mas o Estado do bem-estar social, no qual o governo oferece uma série de serviços sociais a seus cidadãos, ainda é viável?
Offe — O Estado do bem-estar social acabou. Nunca mais vai voltar. O que pode ocorrer é que um país garanta direitos a seus trabalhadores, como o seguro social e a educação, como forma de concorrer no mercado global. Em países como os da Escandinávia funciona assim: em vez de tentar produzir mão-de-obra barata, eles tentam ter trabalhadores com o máximo possível de especialização. Dessa forma, por mais que reclame do preço da mão-de-obra, uma companhia não tem como deixar o país porque não vai achar em outro lugar trabalhadores tão habilidosos. E essa capacidade só existe porque o Estado oferece condições adequadas de saúde e educação.
Offe — O Estado do bem-estar social acabou. Nunca mais vai voltar. O que pode ocorrer é que um país garanta direitos a seus trabalhadores, como o seguro social e a educação, como forma de concorrer no mercado global. Em países como os da Escandinávia funciona assim: em vez de tentar produzir mão-de-obra barata, eles tentam ter trabalhadores com o máximo possível de especialização. Dessa forma, por mais que reclame do preço da mão-de-obra, uma companhia não tem como deixar o país porque não vai achar em outro lugar trabalhadores tão habilidosos. E essa capacidade só existe porque o Estado oferece condições adequadas de saúde e educação.
Veja — Na sua opinião, o Estado deve interferir na formação de mão-de-obra?
Offe — A idéia de que todas as pessoas devem ter emprego é algo muito recente na História, veio depois do movimento feminista. Mas hoje em dia não consigo imaginar nenhum país industrializado que tenha condições de ter pleno emprego por muito tempo. Os dois países que vivem essa situação são fruto de condições peculiares. A Holanda paga pensão para as mulheres só trabalharem meio período. Já os Estados Unidos reduziram as taxas de desemprego combatendo o crime, criando mais cargos de policiais, guardas penitenciários e seguranças particulares. Em nenhum outro lugar esses fenômenos se repetem.
Offe — A idéia de que todas as pessoas devem ter emprego é algo muito recente na História, veio depois do movimento feminista. Mas hoje em dia não consigo imaginar nenhum país industrializado que tenha condições de ter pleno emprego por muito tempo. Os dois países que vivem essa situação são fruto de condições peculiares. A Holanda paga pensão para as mulheres só trabalharem meio período. Já os Estados Unidos reduziram as taxas de desemprego combatendo o crime, criando mais cargos de policiais, guardas penitenciários e seguranças particulares. Em nenhum outro lugar esses fenômenos se repetem.
Veja — Mas como a sociedade deve enfrentar o fato de que não há emprego para todos?
Offe — Os neotrabalhistas defendem o investimento na formação, como o exemplo que citei dos países escandinavos. Já os neoliberais acham que o importante é tornar o país mais competitivo, reduzir ao máximo os direitos sociais e acabar com o poder dos sindicatos. É uma revolução.
Offe — Os neotrabalhistas defendem o investimento na formação, como o exemplo que citei dos países escandinavos. Já os neoliberais acham que o importante é tornar o país mais competitivo, reduzir ao máximo os direitos sociais e acabar com o poder dos sindicatos. É uma revolução.
Veja — O senhor acha então que o neoliberalismo é um movimento revolucionário?
Offe — Sem dúvida. É uma corrente que tem base científica, formada na Universidade de Chicago, um desprezo enorme às instituições e regulamentações e pretende, assim como o comunismo planejou, formar um novo ser humano: um trabalhador rápido, eficiente e capaz de sobreviver num mundo competitivo. Por definição, o neoliberalismo quer um Estado que interfira quase nada na economia e, se possível, cobre pouco imposto.
Offe — Sem dúvida. É uma corrente que tem base científica, formada na Universidade de Chicago, um desprezo enorme às instituições e regulamentações e pretende, assim como o comunismo planejou, formar um novo ser humano: um trabalhador rápido, eficiente e capaz de sobreviver num mundo competitivo. Por definição, o neoliberalismo quer um Estado que interfira quase nada na economia e, se possível, cobre pouco imposto.
Veja — Quais são as conseqüências de um Estado como esse?
Offe — Um Estado desses torna-se muito dependente dos investimentos privados e começa a fazer o que as empresas quiserem para não perder força econômica. Vira uma relação desigual, em que o mercado tem todas as fichas na mão. Em última instância, isso acaba afetando a confiança na democracia.
Offe — Um Estado desses torna-se muito dependente dos investimentos privados e começa a fazer o que as empresas quiserem para não perder força econômica. Vira uma relação desigual, em que o mercado tem todas as fichas na mão. Em última instância, isso acaba afetando a confiança na democracia.
Veja — Como assim?
Offe — A democracia funciona bem apenas quando os cidadãos sentem que seu voto é útil, que ele decide os destinos de sua cidade ou país. Quando o governo é muito fraco, é normal as pessoas duvidarem da democracia. Elas se perguntam: para que serve a democracia se as decisões estão sendo tomadas em arenas em que o cidadão não tem influência? Por isso, o excesso de poder do mercado é ruim para a democracia. Na Austrália, por exemplo, uma empresa ganhou uma concessão para fazer uma rodovia na região de Melbourne. Em condições normais, em troca da concessão ela teria direito ao dinheiro arrecadado pelo pedágio. Só que ela recebeu, além disso, a garantia de que nos próximos trinta anos não será construído um metrô na região. As gerações futuras vão pagar pela satisfação do interesse de uma única empresa. É antidemocrático.
Offe — A democracia funciona bem apenas quando os cidadãos sentem que seu voto é útil, que ele decide os destinos de sua cidade ou país. Quando o governo é muito fraco, é normal as pessoas duvidarem da democracia. Elas se perguntam: para que serve a democracia se as decisões estão sendo tomadas em arenas em que o cidadão não tem influência? Por isso, o excesso de poder do mercado é ruim para a democracia. Na Austrália, por exemplo, uma empresa ganhou uma concessão para fazer uma rodovia na região de Melbourne. Em condições normais, em troca da concessão ela teria direito ao dinheiro arrecadado pelo pedágio. Só que ela recebeu, além disso, a garantia de que nos próximos trinta anos não será construído um metrô na região. As gerações futuras vão pagar pela satisfação do interesse de uma única empresa. É antidemocrático.
Veja — Mas as organizações supranacionais, como o Mercosul, também não têm uma participação direta da sociedade. Também não é antidemocrático que burocratas da União Européia decidam a receita da produção de queijo no interior na França?
Offe — Sim, com certeza essas organizações ainda têm um déficit de democracia. Na Europa, essa é uma das questões mais levantadas nas campanhas eleitorais tanto pelos partidos ditos de direita como pelos de esquerda.
Offe — Sim, com certeza essas organizações ainda têm um déficit de democracia. Na Europa, essa é uma das questões mais levantadas nas campanhas eleitorais tanto pelos partidos ditos de direita como pelos de esquerda.
Veja — O senhor acha que a crise nas bolsas de valores asiáticas é um exemplo desse excesso de poder do mercado? O senhor defende controles para a ação do mercado?
Offe — Em última instância, o controle sobre a ação do mercado é uma questão política que deve ser resolvida nas eleições de cada país. Mas é impossível saber como os países podem reagir a uma mudança brusca no mercado. Há uma interdependência muito grande entre os países nessas fugas de capitais que estão ocorrendo nas crises atuais. Por isso, a defesa de algum tipo de controle sobre as forças de mercado está crescendo em quase todos os países.
Offe — Em última instância, o controle sobre a ação do mercado é uma questão política que deve ser resolvida nas eleições de cada país. Mas é impossível saber como os países podem reagir a uma mudança brusca no mercado. Há uma interdependência muito grande entre os países nessas fugas de capitais que estão ocorrendo nas crises atuais. Por isso, a defesa de algum tipo de controle sobre as forças de mercado está crescendo em quase todos os países.
Veja — Na sua avaliação, o mundo continua balançando entre duas opções ideológicas?
Offe — De forma alguma. A era das ideologias acabou. Muitas pessoas em todo o mundo estão imaginando alternativas novas. No Brasil, por exemplo, há uma proposta muito interessante do senador Eduardo Suplicy. É o projeto da renda mínima, em que cada cidadão tem assegurado o direito constitucional de receber um mínimo para sobreviver.
Offe — De forma alguma. A era das ideologias acabou. Muitas pessoas em todo o mundo estão imaginando alternativas novas. No Brasil, por exemplo, há uma proposta muito interessante do senador Eduardo Suplicy. É o projeto da renda mínima, em que cada cidadão tem assegurado o direito constitucional de receber um mínimo para sobreviver.
Veja — Mas isso não cria uma dependência de milhares de pessoas sobre o Estado e, portanto, uma carga excessiva sobre os contribuintes?
Offe — Entendo que isso cria uma sensação de injustiça. Mas é isso que é pagamento de imposto num país democrático. Quem pode contribui para que a vida no país seja melhor. Muitas pessoas são contra um Estado grande não por motivos ideológicos, mas para pagar menos imposto. Mas feitas as contas essa é a preocupação de um grupo muito pequeno da sociedade.
Offe — Entendo que isso cria uma sensação de injustiça. Mas é isso que é pagamento de imposto num país democrático. Quem pode contribui para que a vida no país seja melhor. Muitas pessoas são contra um Estado grande não por motivos ideológicos, mas para pagar menos imposto. Mas feitas as contas essa é a preocupação de um grupo muito pequeno da sociedade.
Veja — Ninguém gosta de pagar imposto. Quem paga acha que o governo cobra demais. Quem sonega argumenta que o governo não faz o suficiente. Para quem, afinal, o Estado trabalha?
Offe — O grande problema na relação cidadão-governo é que, quando a pessoa compra uma camisa, ela sai com um produto na mão. Quando ela paga imposto não sabe para onde vai o dinheiro. Num governo ideal, o imposto seria destinado a assegurar a aposentadoria do pai desse consumidor ou ao financiamento de uma pesquisa científica. Mas, hoje em dia, mesmo os bons governos vivem com déficit nas suas contas e a cada ano mais imposto é usado para pagar juros e dívidas. Ou seja, fica cada vez mais difícil ver a relação entre imposto pago e serviço prestado.
Offe — O grande problema na relação cidadão-governo é que, quando a pessoa compra uma camisa, ela sai com um produto na mão. Quando ela paga imposto não sabe para onde vai o dinheiro. Num governo ideal, o imposto seria destinado a assegurar a aposentadoria do pai desse consumidor ou ao financiamento de uma pesquisa científica. Mas, hoje em dia, mesmo os bons governos vivem com déficit nas suas contas e a cada ano mais imposto é usado para pagar juros e dívidas. Ou seja, fica cada vez mais difícil ver a relação entre imposto pago e serviço prestado.
Veja — O senhor disse que a era das ideologias terminou. Acha que o neoliberalismo tende a se enfraquecer como idéia e como prática?
Offe — De certa forma, sim. O neoliberalismo está perdendo a sua hegemonia intelectual. Discussões do Banco Mundial ou da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que reúne alguns dos países mais ricos do mundo, têm repetidamente ressaltado a necessidade de se combater a pobreza.
Offe — De certa forma, sim. O neoliberalismo está perdendo a sua hegemonia intelectual. Discussões do Banco Mundial ou da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que reúne alguns dos países mais ricos do mundo, têm repetidamente ressaltado a necessidade de se combater a pobreza.
Veja — Nas suas palestras, o senhor fala de um novo pacto social formado por Estado, mercado e comunidade. Como funciona essa tese?
Offe — Os problemas de um país não vão ser resolvidos apenas pela ação do Estado ou do mercado. É preciso um novo pacto, que ressalve o dever do Estado de dar condições básicas de cidadania, garanta a liberdade do mercado e da competição econômica e, para evitar o conflito entre esses dois interesses, permita a influência de entidades comunitárias. As organizações não governamentais, as igrejas, os movimentos profissionais como os Médicos sem Fronteira atuam como uma válvula de escape nas deficiências do Estado e do mercado. É a entidade de direitos civis que vai defender os interesses do cidadão junto à Justiça e ao Congresso. É a solidariedade de uma organização religiosa que vai ajudar muitos desempregados excluídos pelo mercado.
Offe — Os problemas de um país não vão ser resolvidos apenas pela ação do Estado ou do mercado. É preciso um novo pacto, que ressalve o dever do Estado de dar condições básicas de cidadania, garanta a liberdade do mercado e da competição econômica e, para evitar o conflito entre esses dois interesses, permita a influência de entidades comunitárias. As organizações não governamentais, as igrejas, os movimentos profissionais como os Médicos sem Fronteira atuam como uma válvula de escape nas deficiências do Estado e do mercado. É a entidade de direitos civis que vai defender os interesses do cidadão junto à Justiça e ao Congresso. É a solidariedade de uma organização religiosa que vai ajudar muitos desempregados excluídos pelo mercado.
Veja — Por que o senhor confia tanto no poder das organizações comunitárias?
Offe — A família, os vizinhos, a comunidade em que cada um vive é a reserva moral da sociedade. É lá que o cidadão vai encontrar a solidariedade sem interesses. A origem histórica da ação política da comunidade vem das tradições da Igreja Católica, da visão liberal do filósofo francês Alexis de Tocqueville, que defendia a "arte cívica das organizações". É inegável o resultado positivo da ação comunitária. Nos últimos cinqüenta anos, o planeta mudou para melhor por causa dos movimentos pelos direitos civis, o feminismo, a luta pela preservação da natureza. Mas também há péssimos exemplos de ações comunitárias.
Offe — A família, os vizinhos, a comunidade em que cada um vive é a reserva moral da sociedade. É lá que o cidadão vai encontrar a solidariedade sem interesses. A origem histórica da ação política da comunidade vem das tradições da Igreja Católica, da visão liberal do filósofo francês Alexis de Tocqueville, que defendia a "arte cívica das organizações". É inegável o resultado positivo da ação comunitária. Nos últimos cinqüenta anos, o planeta mudou para melhor por causa dos movimentos pelos direitos civis, o feminismo, a luta pela preservação da natureza. Mas também há péssimos exemplos de ações comunitárias.
Veja — O senhor poderia dar exemplos?
Offe — O anti-semitismo na Alemanha nazista começou como uma ação comunitária para excluir os judeus da vida econômica e social do país. Hoje isso se repete nas ações contra os imigrantes africanos nos países ricos da Europa ou contra os latino-americanos nos Estados Unidos. As comunidades, por serem conduzidas por um grupo de interesses comuns, podem muito bem ser injustas, corporativas e egoístas. Por isso defendo um triângulo entre as três forças, sem a hegemonia de nenhum setor.
Offe — O anti-semitismo na Alemanha nazista começou como uma ação comunitária para excluir os judeus da vida econômica e social do país. Hoje isso se repete nas ações contra os imigrantes africanos nos países ricos da Europa ou contra os latino-americanos nos Estados Unidos. As comunidades, por serem conduzidas por um grupo de interesses comuns, podem muito bem ser injustas, corporativas e egoístas. Por isso defendo um triângulo entre as três forças, sem a hegemonia de nenhum setor.
Falta de Estado estimula proliferação de ONGs sem capacidade, diz especialista
Publicado na Folha de S. Paulo - 01/06/08
DENISE MENCHEN COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, NO RIO
A falta de uma presença forte do Estado na Amazônia abre espaço para a proliferação de ONGs, que, mesmo quando bem intencionadas, geralmente não têm capacidade técnica para atuar na resolução dos problemas da região. A avaliação é da pesquisadora brasileira Maria Guadalupe Moog Rodrigues, professora associada no College of the Holy Cross, dos EUA. Ela participou de seminário na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)."A falta de capacidade técnica fica mais evidente com a multiplicação das ONGs, que é um efeito da democracia, mas também do sucateamento do Estado", disse. Segundo ela, esse sucateamento, aliado ao despreparo da sociedade civil, é um dos motivos pelos quais as organizações estrangeiras têm ganhado importância na questão da preservação da floresta."Isso pode explicar por que os militares se sentem inseguros em relação à região e por que não há segurança em relação à exploração da biodiversidade", afirmou. A pesquisadora não vê, no entanto, ameaças à soberania nacional. Ela diz acreditar que as comunidades locais "sabem exatamente o que querem" e que as ONGs podem cumprir um papel importante no desenvolvimento sustentável da Amazônia.Segundo ela, hoje grande parte dos financiamentos internacionais para programas na Amazônia é condicionada à participação da sociedade civil. "O esforço deve ser não de alijá-las do processo, mas sim de fortalecê-las", disse.Isso poderia evitar, segundo ela, situações como a verificada com a implantação do PAIC (Programa de Apoio a Iniciativas Comunitárias) em Rondônia, nos anos 90. O programa previa o repasse de recursos obtidos junto ao Banco Mundial a organizações da sociedade civil. "Mas as ONGs não tiveram capacidade de responder."A pesquisadora destacou que a ex-ministra Marina Silva "era uma bandeira muito clara para o cenário internacional" da disposição do governo de preservar a Amazônia. Já Carlos Minc não tem essa identificação imediata com a floresta, o que pode gerar desconfiança no exterior.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
UE põe fim a sanções contra Cuba
Bloco europeu anuncia abertura de "diálogo incondicional" e afirma pretender encorajar abertura na ilha
Retaliações diplomáticas foram impostas em 2003; Espanha liderou defesa de negociações e enfrentou resistência de parceiros
MARCELO NINIO ENVIADO ESPECIAL A BRUXELAS - FSP - 20/06/08
A União Européia anunciou ontem o fim das sanções diplomáticas a Cuba, num gesto destinado a encorajar o dirigente Raúl Castro a acelerar a abertura política do país. A decisão, que encontrou resistência dentro do bloco, prevê a abertura de um diálogo político incondicional com o regime cubano, cujos resultados serão revistos dentro de um ano."Os ministros de Assuntos Exteriores dos 27 países [da UE] decidiram por unanimidade levantar definitivamente as medidas de 2003 e iniciar uma etapa de diálogo incondicional", disse o chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, no primeiro dia da cúpula do Conselho Europeu.Assim como fez em 2003, na imposição do castigo em resposta à prisão de 75 dissidentes pelo regime cubano, e em 2005, quando as sanções foram suspensas, a Espanha tomou a frente do tema. O país era o maior defensor do fim das sanções -que, ao contrário do embargo americano, não incluíam boicote econômico, apenas restrições a viagens de autoridades européias a Cuba.As sanções já estavam suspensas há três anos, mas a decisão anunciada ontem tem um importante valor simbólico, apenas quatro meses após a saída de Fidel Castro do poder. "Vemos sinais animadores em Cuba", disse a comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner. "Queremos mostrar à população de Cuba que estamos prontos a trabalhar com eles."Discussão árduaAlcançar a unanimidade não foi tarefa simples. A dificuldade em falar com uma só voz em assuntos de política externa é um dos pontos fracos da UE, que o Tratado de Lisboa pretende corrigir. O caso de Cuba é mais um em que a diversidade de 27 visões de mundo tornou árdua a missão dos diplomatas.De um lado estavam países como a Espanha, que acreditam que o fim das sanções pode servir de incentivo para a abertura do regime cubano; de outro, os que o temiam um "apaziguamento" de uma ditadura.Antes do anúncio, o chanceler sueco, Carl Bildt, ressaltou a importância de que a UE não parecesse leniente com a repressão cubana. "Faremos exigências bem duras", disse.A declaração negociada ontem pede a libertação de todos os prisioneiros políticos, a ratificação das convenções de direitos humanos da ONU e o acesso de ativistas humanitários a prisões da ilha.O regime cubano exigia que as sanções fossem eliminadas antes de aceitar as ofertas de diálogo da UE. No documento aprovado ontem, os europeus defendem um diálogo incondicional, que inclua cooperação não só política mas econômica, científica e cultural. O bloco reconhece "as mudanças contínuas de liberalização" empreendidas por Raúl Castro.Por iniciativa da República Tcheca, um dos países mais resistentes ao fim das sanções, foi introduzido no texto um compromisso de que o diálogo com o governo cubano seja acompanhado de conversas com a oposição. Comentando a reação negativa dos EUA ontem, o chanceler espanhol rebateu: ""Pedimos respeito à política da UE, que tem autonomia e legitimidade suficientes para agir em uma região importante como é a América Latina".
Retaliações diplomáticas foram impostas em 2003; Espanha liderou defesa de negociações e enfrentou resistência de parceiros
MARCELO NINIO ENVIADO ESPECIAL A BRUXELAS - FSP - 20/06/08
A União Européia anunciou ontem o fim das sanções diplomáticas a Cuba, num gesto destinado a encorajar o dirigente Raúl Castro a acelerar a abertura política do país. A decisão, que encontrou resistência dentro do bloco, prevê a abertura de um diálogo político incondicional com o regime cubano, cujos resultados serão revistos dentro de um ano."Os ministros de Assuntos Exteriores dos 27 países [da UE] decidiram por unanimidade levantar definitivamente as medidas de 2003 e iniciar uma etapa de diálogo incondicional", disse o chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, no primeiro dia da cúpula do Conselho Europeu.Assim como fez em 2003, na imposição do castigo em resposta à prisão de 75 dissidentes pelo regime cubano, e em 2005, quando as sanções foram suspensas, a Espanha tomou a frente do tema. O país era o maior defensor do fim das sanções -que, ao contrário do embargo americano, não incluíam boicote econômico, apenas restrições a viagens de autoridades européias a Cuba.As sanções já estavam suspensas há três anos, mas a decisão anunciada ontem tem um importante valor simbólico, apenas quatro meses após a saída de Fidel Castro do poder. "Vemos sinais animadores em Cuba", disse a comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner. "Queremos mostrar à população de Cuba que estamos prontos a trabalhar com eles."Discussão árduaAlcançar a unanimidade não foi tarefa simples. A dificuldade em falar com uma só voz em assuntos de política externa é um dos pontos fracos da UE, que o Tratado de Lisboa pretende corrigir. O caso de Cuba é mais um em que a diversidade de 27 visões de mundo tornou árdua a missão dos diplomatas.De um lado estavam países como a Espanha, que acreditam que o fim das sanções pode servir de incentivo para a abertura do regime cubano; de outro, os que o temiam um "apaziguamento" de uma ditadura.Antes do anúncio, o chanceler sueco, Carl Bildt, ressaltou a importância de que a UE não parecesse leniente com a repressão cubana. "Faremos exigências bem duras", disse.A declaração negociada ontem pede a libertação de todos os prisioneiros políticos, a ratificação das convenções de direitos humanos da ONU e o acesso de ativistas humanitários a prisões da ilha.O regime cubano exigia que as sanções fossem eliminadas antes de aceitar as ofertas de diálogo da UE. No documento aprovado ontem, os europeus defendem um diálogo incondicional, que inclua cooperação não só política mas econômica, científica e cultural. O bloco reconhece "as mudanças contínuas de liberalização" empreendidas por Raúl Castro.Por iniciativa da República Tcheca, um dos países mais resistentes ao fim das sanções, foi introduzido no texto um compromisso de que o diálogo com o governo cubano seja acompanhado de conversas com a oposição. Comentando a reação negativa dos EUA ontem, o chanceler espanhol rebateu: ""Pedimos respeito à política da UE, que tem autonomia e legitimidade suficientes para agir em uma região importante como é a América Latina".
terça-feira, 17 de junho de 2008
Lula vê "dedo sujo" de petróleo contra etanol
Presidente e FAO fazem duro ataque contra subsídios dos países ricos na conferência de segurança alimentar da ONU
Ele critica ainda a produção de etanol a partir de milho nos EUA, mas evita falar do aumento do desmatamento na região amazônica
CLÓVIS ROSSI ENVIADO ESPECIAL A ROMA - FSP - 04/06/08
Ao fazer a defesa de sua obsessão, o etanol de cana-de-açúcar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu ao ataque pesado contra empresas petrolíferas e contra o outro etanol, o do milho, produzido nos EUA."É com espanto que vejo tentativas de criar uma relação de causa e efeito entre os biocombustíveis e o aumento do preço dos alimentos. (...) Vejo com indignação que muitos dos dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e carvão", disparou Lula em seu discurso na Cúpula sobre Segurança Alimentar, ontem inaugurada na sede romana da FAO, o braço da ONU para Alimentação e Agricultura.Lula já havia acusado as petroleiras de conspiração contra o etanol, em Lima, em outra cúpula, a da União Européia com América Latina e Caribe.Agora, sua crítica se dirigiu também ao etanol de milho: "É evidente que o etanol de milho só consegue competir com o etanol de cana quando é anabolizado por subsídios e protegido por barreiras tarifárias".Outro alvo de Lula foram os subsídios que o mundo rico dá a seus agricultores. "Outro fator decisivo para a alta dos alimentos é o intolerável protecionismo com que os países ricos cercam a sua agricultura, atrofiando e desorganizando a produção em outros países, especialmente os mais pobres".Mais: "Os subsídios criam dependência, desmantelam estruturas produtivas inteiras, geram fome e pobreza onde poderia haver prosperidade. Já passou da hora de eliminá-los".Jacques Diouf, o diretor-geral da FAO e anfitrião do encontro de Roma, concordou totalmente com o brasileiro. Em seu discurso inaugural, Diouf disse ser "incompreensível o fato de que subsídios da ordem de US$ 11 bilhões a US$ 12 bilhões foram usados para desviar 100 milhões de toneladas de cereais do consumo humano para satisfazer a sede dos veículos por combustível". O senegalês ressaltou o fato de que os países da OCDE (os 30 mais ricos do mundo) tenham gasto "US$ 372 bilhões só em 2006 para apoiar sua agricultura".Lula apresentou todos os dados que usa habitualmente para demonstrar que nem o Brasil devasta a Amazônia para produzir etanol nem os biocombustíveis substituem plantios para alimentação. Mas não tocou no desmatamento recorde da Amazônia, tema que provoca excitação imensa na Europa.Disse só que "99,7% da cana está a pelo menos 2.000 quilômetros da floresta amazônica. Isto é, a distância entre nossos canaviais e a Amazônia é a mesma que existe entre o Vaticano e o Kremlin".É uma boa imagem, mas a Folha ouviu de delegados europeus que, se aumenta a devastação na Amazônia, conforme a manchete dos principais jornais de ontem, importa menos a causa e mais o fato.
Ele critica ainda a produção de etanol a partir de milho nos EUA, mas evita falar do aumento do desmatamento na região amazônica
CLÓVIS ROSSI ENVIADO ESPECIAL A ROMA - FSP - 04/06/08
Ao fazer a defesa de sua obsessão, o etanol de cana-de-açúcar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu ao ataque pesado contra empresas petrolíferas e contra o outro etanol, o do milho, produzido nos EUA."É com espanto que vejo tentativas de criar uma relação de causa e efeito entre os biocombustíveis e o aumento do preço dos alimentos. (...) Vejo com indignação que muitos dos dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e carvão", disparou Lula em seu discurso na Cúpula sobre Segurança Alimentar, ontem inaugurada na sede romana da FAO, o braço da ONU para Alimentação e Agricultura.Lula já havia acusado as petroleiras de conspiração contra o etanol, em Lima, em outra cúpula, a da União Européia com América Latina e Caribe.Agora, sua crítica se dirigiu também ao etanol de milho: "É evidente que o etanol de milho só consegue competir com o etanol de cana quando é anabolizado por subsídios e protegido por barreiras tarifárias".Outro alvo de Lula foram os subsídios que o mundo rico dá a seus agricultores. "Outro fator decisivo para a alta dos alimentos é o intolerável protecionismo com que os países ricos cercam a sua agricultura, atrofiando e desorganizando a produção em outros países, especialmente os mais pobres".Mais: "Os subsídios criam dependência, desmantelam estruturas produtivas inteiras, geram fome e pobreza onde poderia haver prosperidade. Já passou da hora de eliminá-los".Jacques Diouf, o diretor-geral da FAO e anfitrião do encontro de Roma, concordou totalmente com o brasileiro. Em seu discurso inaugural, Diouf disse ser "incompreensível o fato de que subsídios da ordem de US$ 11 bilhões a US$ 12 bilhões foram usados para desviar 100 milhões de toneladas de cereais do consumo humano para satisfazer a sede dos veículos por combustível". O senegalês ressaltou o fato de que os países da OCDE (os 30 mais ricos do mundo) tenham gasto "US$ 372 bilhões só em 2006 para apoiar sua agricultura".Lula apresentou todos os dados que usa habitualmente para demonstrar que nem o Brasil devasta a Amazônia para produzir etanol nem os biocombustíveis substituem plantios para alimentação. Mas não tocou no desmatamento recorde da Amazônia, tema que provoca excitação imensa na Europa.Disse só que "99,7% da cana está a pelo menos 2.000 quilômetros da floresta amazônica. Isto é, a distância entre nossos canaviais e a Amazônia é a mesma que existe entre o Vaticano e o Kremlin".É uma boa imagem, mas a Folha ouviu de delegados europeus que, se aumenta a devastação na Amazônia, conforme a manchete dos principais jornais de ontem, importa menos a causa e mais o fato.
Uma nova era
Por Antonio Ermírio de Morais - Folha de São Paulo - 08/06/08
PELO QUE entendi das informações chegadas da reunião da FAO em Roma, as questões de energia e de alimentos ocuparam um lugar central. Não se chegou a condenar o uso da cana-de-açúcar e do milho como substitutos do petróleo. Mas tampouco houve grandes aplausos para esse tipo de substituição. Em um dos documentos oficiais, foi ressaltada a importância dos biocombustíveis. Em 2007, a biomassa contribuiu com 10% no total de energia consumida no mundo, sendo que, entre os biocombustíveis, o etanol teve peso de 90%. Para tanto, os Estados Unidos usaram 23% de sua safra de milho, e o Brasil utilizou 54% da sua safra de cana-de-açúcar. São números impressionantes e que suscitam dúvidas. Será que isso não vai comprometer a produção de alimentos? Até que ponto a atual alta de preços se liga à nova atividade? O assunto instiga discussões acaloradas. Ao que tudo indica, porém, com discussão ou sem discussão, o etanol será a grande estrela dos próximos anos. A própria FAO estima que esse combustível, que hoje é usado por apenas 1% do transporte rodoviário, em 2030 representará mais de 3% -e, dali para a frente, o céu é o limite. E então? Sobrarão terras para plantar alimentos? E a segurança alimentar? A FAO considera que a realidade dos países é muito heterogênea. No Brasil, por exemplo, os técnicos, em sua maioria, não acreditam que o etanol vá onerar os alimentos. Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, diz que, dos 62 milhões de hectares cultivados no Brasil, apenas 3 milhões se destinam à cana que produz etanol. A disponibilidade de terras é imensa. E a possibilidade da produtividade crescer ainda mais é muito grande com a chegada de novas variedades e novas tecnologias. Com tecnologia e terras, o Brasil está bem. Temos 220 milhões de hectares de pastagens, dos quais 90 milhões podem ser usados para agricultura. Destes, 22 milhões podem acomodar sem problemas a cana-de-açúcar e 68 milhões podem ser usados na produção de alimentos. Ou seja, o Brasil pode fazer um bom equilíbrio entre alimentos e bioenergia. É uma questão de planejamento bem-feito e de execução rigorosa. Mas, é claro, tudo tem de ser levado muito a sério. Estamos diante de uma oportunidade fantástica: a de sermos o principal país produtor na nova era energética. Com isso, criaremos muitos empregos e teremos muitos impostos e muitos investimentos. Tudo é muito. Oxalá o juízo também o seja!
PELO QUE entendi das informações chegadas da reunião da FAO em Roma, as questões de energia e de alimentos ocuparam um lugar central. Não se chegou a condenar o uso da cana-de-açúcar e do milho como substitutos do petróleo. Mas tampouco houve grandes aplausos para esse tipo de substituição. Em um dos documentos oficiais, foi ressaltada a importância dos biocombustíveis. Em 2007, a biomassa contribuiu com 10% no total de energia consumida no mundo, sendo que, entre os biocombustíveis, o etanol teve peso de 90%. Para tanto, os Estados Unidos usaram 23% de sua safra de milho, e o Brasil utilizou 54% da sua safra de cana-de-açúcar. São números impressionantes e que suscitam dúvidas. Será que isso não vai comprometer a produção de alimentos? Até que ponto a atual alta de preços se liga à nova atividade? O assunto instiga discussões acaloradas. Ao que tudo indica, porém, com discussão ou sem discussão, o etanol será a grande estrela dos próximos anos. A própria FAO estima que esse combustível, que hoje é usado por apenas 1% do transporte rodoviário, em 2030 representará mais de 3% -e, dali para a frente, o céu é o limite. E então? Sobrarão terras para plantar alimentos? E a segurança alimentar? A FAO considera que a realidade dos países é muito heterogênea. No Brasil, por exemplo, os técnicos, em sua maioria, não acreditam que o etanol vá onerar os alimentos. Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura, diz que, dos 62 milhões de hectares cultivados no Brasil, apenas 3 milhões se destinam à cana que produz etanol. A disponibilidade de terras é imensa. E a possibilidade da produtividade crescer ainda mais é muito grande com a chegada de novas variedades e novas tecnologias. Com tecnologia e terras, o Brasil está bem. Temos 220 milhões de hectares de pastagens, dos quais 90 milhões podem ser usados para agricultura. Destes, 22 milhões podem acomodar sem problemas a cana-de-açúcar e 68 milhões podem ser usados na produção de alimentos. Ou seja, o Brasil pode fazer um bom equilíbrio entre alimentos e bioenergia. É uma questão de planejamento bem-feito e de execução rigorosa. Mas, é claro, tudo tem de ser levado muito a sério. Estamos diante de uma oportunidade fantástica: a de sermos o principal país produtor na nova era energética. Com isso, criaremos muitos empregos e teremos muitos impostos e muitos investimentos. Tudo é muito. Oxalá o juízo também o seja!
A falácia do preço dos alimentos
Por RUBENS RICUPERO - Folha de São Paulo - 08/06/08
Os preços agrícolas e a renda rural ainda não se recuperaram plenamente da longa fase de colapso
É FALSO ou exagerado boa parte do que se alardeia sobre a alta do preço dos alimentos. Nos últimos dez meses, é fato que os preços subiram em termos nominais. Contudo, quando se comparam esses preços com a média histórica e se corrige o efeito da inflação, a realidade é bem diferente.Levando em conta o colapso no preço das commodities nos anos 1980 e 1990, José Antonio Ocampo, ex-subsecretário econômico da ONU, hoje na Universidade de Columbia, e Maria Ângela Parra publicaram artigo provando que a explosão é de preços minerais, e não agrícolas.Tomaram como base o período 1945-1980, fase de 35 anos de preços até um pouco abaixo da tendência histórica. Aplicaram depois, como deflator, o índice da ONU/Banco Mundial conhecido como Unidade de Valor de Manufaturas.Resultado: os números mostram explosão nos preços do petróleo e dos metais, sobretudo do cobre. Todos mais que dobraram, em termos reais, em relação à média de referência. O único ano em que os metais estiveram tão caros foi 1916, no meio da Primeira Guerra.Já os preços agrícolas apenas se recuperam do abismo em que se tinham precipitado nos anos 80, sem que ninguém vertesse lágrimas pelas perdas dos agricultores. A maioria dos produtos tropicais na verdade ainda se encontra longe de haver recomposto as perdas.Só existe um alimento de primeira necessidade com preço superior à média do pós-guerra. É o trigo, com índice de 189,7 (o índice 100 corresponde à fase 1945-1980). Os três outros produtos agrícolas acima de 100 são o óleo de palma (260,1), a banana (185) e a borracha (162,8). O Brasil não é grande exportador de nenhum: na banana, ocupamos posição marginal, e na borracha mal atingimos um terço das nossas necessidades. Uma segunda categoria é a dos alimentos que quase recuperaram o nível da média passada: o milho (95,7) e o arroz (78).Na pior classe, a dos preços ainda deprimidos, encontramos o cacau (60,9), o chá (58,7), o café (58), o algodão (43,5) e o açúcar (41). O fato de que o açúcar nem conseguiu chegar à metade de sua cotação histórica média põe por terra o argumento de pressão direta do álcool de cana sobre o preço de alimentos.Chega-se ao mesmo resultado pela evolução dos termos de intercâmbio, isto é, a relação entre preços de exportações e de importações. O último relatório da Cepal sobre a economia da América Latina, divulgado em dezembro de 2007, revela que os únicos países cujos termos de intercâmbio no ano passado melhoraram em 90%-100% acima dos de 2003 foram o Chile, exportador de cobre, e a Venezuela, de petróleo.As outras melhoras significativas foram todas de exportadores de minérios: Bolívia e Peru (40%-60%); Colômbia e Equador (acima de 25%). Os dois maiores exportadores agrícolas, Argentina e Brasil, tiveram melhora de 10% ou menos.Não é por acaso que Ocampo tenha sido diretor da Cepal e herdeiro do conselho de Raúl Prebisch: temos de olhar para os relatórios econômicos produzidos nos países ricos com espírito crítico e a partir da nossa realidade. Quem come da mão de americanos e europeus vê o que eles querem que vejamos.A realidade é outra: os preços agrícolas e a renda rural ainda não se recuperaram plenamente da longa fase de colapso, os produtos tropicais continuam deprimidos e a real explosão é a do petróleo e dos metais.
Os preços agrícolas e a renda rural ainda não se recuperaram plenamente da longa fase de colapso
É FALSO ou exagerado boa parte do que se alardeia sobre a alta do preço dos alimentos. Nos últimos dez meses, é fato que os preços subiram em termos nominais. Contudo, quando se comparam esses preços com a média histórica e se corrige o efeito da inflação, a realidade é bem diferente.Levando em conta o colapso no preço das commodities nos anos 1980 e 1990, José Antonio Ocampo, ex-subsecretário econômico da ONU, hoje na Universidade de Columbia, e Maria Ângela Parra publicaram artigo provando que a explosão é de preços minerais, e não agrícolas.Tomaram como base o período 1945-1980, fase de 35 anos de preços até um pouco abaixo da tendência histórica. Aplicaram depois, como deflator, o índice da ONU/Banco Mundial conhecido como Unidade de Valor de Manufaturas.Resultado: os números mostram explosão nos preços do petróleo e dos metais, sobretudo do cobre. Todos mais que dobraram, em termos reais, em relação à média de referência. O único ano em que os metais estiveram tão caros foi 1916, no meio da Primeira Guerra.Já os preços agrícolas apenas se recuperam do abismo em que se tinham precipitado nos anos 80, sem que ninguém vertesse lágrimas pelas perdas dos agricultores. A maioria dos produtos tropicais na verdade ainda se encontra longe de haver recomposto as perdas.Só existe um alimento de primeira necessidade com preço superior à média do pós-guerra. É o trigo, com índice de 189,7 (o índice 100 corresponde à fase 1945-1980). Os três outros produtos agrícolas acima de 100 são o óleo de palma (260,1), a banana (185) e a borracha (162,8). O Brasil não é grande exportador de nenhum: na banana, ocupamos posição marginal, e na borracha mal atingimos um terço das nossas necessidades. Uma segunda categoria é a dos alimentos que quase recuperaram o nível da média passada: o milho (95,7) e o arroz (78).Na pior classe, a dos preços ainda deprimidos, encontramos o cacau (60,9), o chá (58,7), o café (58), o algodão (43,5) e o açúcar (41). O fato de que o açúcar nem conseguiu chegar à metade de sua cotação histórica média põe por terra o argumento de pressão direta do álcool de cana sobre o preço de alimentos.Chega-se ao mesmo resultado pela evolução dos termos de intercâmbio, isto é, a relação entre preços de exportações e de importações. O último relatório da Cepal sobre a economia da América Latina, divulgado em dezembro de 2007, revela que os únicos países cujos termos de intercâmbio no ano passado melhoraram em 90%-100% acima dos de 2003 foram o Chile, exportador de cobre, e a Venezuela, de petróleo.As outras melhoras significativas foram todas de exportadores de minérios: Bolívia e Peru (40%-60%); Colômbia e Equador (acima de 25%). Os dois maiores exportadores agrícolas, Argentina e Brasil, tiveram melhora de 10% ou menos.Não é por acaso que Ocampo tenha sido diretor da Cepal e herdeiro do conselho de Raúl Prebisch: temos de olhar para os relatórios econômicos produzidos nos países ricos com espírito crítico e a partir da nossa realidade. Quem come da mão de americanos e europeus vê o que eles querem que vejamos.A realidade é outra: os preços agrícolas e a renda rural ainda não se recuperaram plenamente da longa fase de colapso, os produtos tropicais continuam deprimidos e a real explosão é a do petróleo e dos metais.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Em protesto na Paulista com mais de 100 ciclistas, vários ficam nus e um acaba detido
ROBERTO DE OLIVEIRA DA REVISTA DA FOLHA
A primeira edição do World Naked Bike Ride (na tradução livre, passeio mundial de ciclistas nus) em São Paulo terminou com a detenção do analista de sistemas André Pasqualini, 34, na avenida Paulista, ontem à tarde, depois que ele e cerca de outros 20 manifestantes tiraram a roupa. Ele foi liberado após um termo circunstanciado ter sido registrado.O evento já ocorre tradicionalmente em outras cidades do mundo, como Seattle, Vancouver e Auckland.Pasqualini foi detido quando tirou o tapa-sexo que usava. Logo em seguida, os pelados se vestiram.Segundo o major da PM Benjamin Francisco Neto, 45, os manifestantes tinham sido avisados que a nudez não seria permitida durante o evento por ato obsceno.O objetivo de pedalar sem roupa era chamar atenção para os direitos dos ciclistas e mostrar que eles se sentem nus, desprotegidos, quando têm de disputar espaço com os veículos nas ruas.A PM usou cassetetes e spray de pimenta contra os manifestantes. Pasqualini deverá se apresentar à Justiça. A pena para ato obsceno é prisão de três meses a um ano ou multa. A manifestação, que começou por volta das 14h na praça do Ciclista, na Paulista, iria dar uma volta na avenida e retornar à praça. Após a prisão, a manifestação foi interrompida e cerca de 120 ciclistas protestaram em frente à delegacia.
A primeira edição do World Naked Bike Ride (na tradução livre, passeio mundial de ciclistas nus) em São Paulo terminou com a detenção do analista de sistemas André Pasqualini, 34, na avenida Paulista, ontem à tarde, depois que ele e cerca de outros 20 manifestantes tiraram a roupa. Ele foi liberado após um termo circunstanciado ter sido registrado.O evento já ocorre tradicionalmente em outras cidades do mundo, como Seattle, Vancouver e Auckland.Pasqualini foi detido quando tirou o tapa-sexo que usava. Logo em seguida, os pelados se vestiram.Segundo o major da PM Benjamin Francisco Neto, 45, os manifestantes tinham sido avisados que a nudez não seria permitida durante o evento por ato obsceno.O objetivo de pedalar sem roupa era chamar atenção para os direitos dos ciclistas e mostrar que eles se sentem nus, desprotegidos, quando têm de disputar espaço com os veículos nas ruas.A PM usou cassetetes e spray de pimenta contra os manifestantes. Pasqualini deverá se apresentar à Justiça. A pena para ato obsceno é prisão de três meses a um ano ou multa. A manifestação, que começou por volta das 14h na praça do Ciclista, na Paulista, iria dar uma volta na avenida e retornar à praça. Após a prisão, a manifestação foi interrompida e cerca de 120 ciclistas protestaram em frente à delegacia.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Entrevista - Alexandro Santin
Alexandro Santin tem 32 anos e é Gerente de Exportação da Saint-Gobain Vidros (que fabrica os marinex que você deve ter em casa). Graduado em Administração de Empresas com ênfase em Comércio Exterior pela Unip e Pós-Graduado em Negócios Internacionais pelo Mackenzie. Já visitou a trabalho 4 continentes e conhece países como EUA, Índia, Paquistão, Angola, Holanda...FdM: Como foi que você escolheu fazer o curso que fez?
A.S.: Terminei a escola tarde, pois perdi 2 anos no colegial. Quando fiz 18 anos percebi que tinha que correr atrás do tempo perdido então resolvi fazer colegial técnico de noite para poder trabalhar durante o dia. Fiz colegial técnico em Adm. de Empresas e escolhi esse curso por que além de meu pai trabalhar a vida toda em empresas, as outras opções eram contabilidade, etc, coisas que não tinham nenhuma ligação comigo. Depois que acabei o colegial, tomei gosto por estudar e resolvi seguir os estudos universitários. Queria continuar na área de Adm de Empresas, mas como naquela época (1995) começava-se a falar muito sobre globalização, resolvi optar por Comércio Exterior. De carona, tive que entrar no curso de inglês.
FdM: Qual foi seu primeiro emprego na área e o que fazia?
A.S.: Meu 1º emprego na área foi através de estágio. Entrei numa multinacional americana e meu trabalho era cuidar da importação de peças de reposição que a empresa trazia dos EUA para manutenção de equipamentos industriais. Eu não conhecia nada de Comércio Exterior, foi uma baita escola, pois comecei a tratar com despachantes aduaneiros (são eles que lidam com os fiscais da receita federal nos portos e aeroportos), comecei a ter contatos com fornecedores fora do Brasil e comecei a colocar em prática meu inglês escrito e falado.

FdM: E daí como chegou onde está hoje?
A.S.: Trabalhei bastante. E sempre procurei me desenvolver e estabelecer planos (metas, horizontes, chame como quiser) de médio prazo. Por exemplo: eu era estagiário, então meu plano para os próximos 2 anos era ser efetivado na empresa. Depois da efetivação, comecei a estudar espanhol e meu plano dos próximos 2 anos era me tornar fluente em espanhol e viajar para o exterior pela 1ª vez. Depois disso, eu queria ser promovido e ir para área comercial, para poder começar a viajar. Foi o que aconteceu, arrumei um novo emprego para ganhar mais e que me deu bagagem suficiente para entrar na empresa em que estou hoje. Há 2 anos atrás, percebi que era hora de me atualizar na área acadêmica e que eu precisava ter mais um idioma para me destacar no mercado de trabalho. Entrei então no curso de pós e comecei a estudar francês. Terminei o curso da pós e hoje falo francês fluentemente (cometo alguns erros ainda e por isso estou ainda estudando), mas fiz isso pensando na próxima etapa profissional e deu certo: fui promovido a Gerente a partir de 1º Julho deste ano.
FdM: Conte como é sua rotina de trabalho (o que faz, que horas acorda, que roupa usa...)
A.S.: Minha rotina é um pouco monótona quando estou no Brasil: vou ao escritório todos os dias das 09:00 às 18:00. Para isso, tenho que acordar cedo, usar roupa social (gravata muitas vezes), etc. Passo o dia todo num ambiente fechado, trabalhando no computador e no telefone.
FdM: O que você mais gosta no seu trabalho? E o que mais se orgulha?
A.S.: Gosto da possibilidade de ter contato com pessoas do mundo todo. Tenho orgulho das viagens, de ter conhecido diferentes lugares, de ter contribuído e trocado experiências com diversas pessoas de diferentes culturas, crenças, etc. Orgulho-me também de vender produtos brasileiros no exterior, o que apesar das dificuldades culturais que os brasileiros têm de entender o mundo, nossos produtos são competitivos e de boa qualidade. A indústria brasileira é bem vista mundo afora.
FdM: O que você menos gosta no seu trabalho?
A.S.: Da rotina. É difícil também viajar para o mundo todo, conhecer gente e mercados distintos, depois retornar ao Brasil e ter que lidar com pessoas que não estão nem abertas nem dispostas a entender a complexidade do mundo globalizado em que vivemos.
FdM: E na Faculdade, o que mais gostava e o que menos gostava?
A.S.: Eu gostava de estudar coisas que, apesar de não estarem diretamente ligadas a minha área ou profissão, acrescentavam muito conhecimento para mim como: filosofia, psicologia, etc. São coisas que a gente não aprende na escola normalmente. O que eu menos gostava eram os números; sempre detestei matemática, física, química. Por fim, eu não gostava de professor ruim! Mas infelizmente, maus profissionais existem em todos os lugares.
FdM: O que um jovem que queira seguir uma carreira como a sua precisa ter?
A.S.: Na minha área é necessário ter no mínimo domínio dos idiomas inglês e espanhol.
No mercado de trabalho em geral, é necessário se atualizar constantemente para valorizar o currículo. Muitas vezes o que aprendemos na escola ou universidade parece repetitivo, mas no fim sempre agrega valor. E reforça o currículo, sem dúvida.
A.S.: Terminei a escola tarde, pois perdi 2 anos no colegial. Quando fiz 18 anos percebi que tinha que correr atrás do tempo perdido então resolvi fazer colegial técnico de noite para poder trabalhar durante o dia. Fiz colegial técnico em Adm. de Empresas e escolhi esse curso por que além de meu pai trabalhar a vida toda em empresas, as outras opções eram contabilidade, etc, coisas que não tinham nenhuma ligação comigo. Depois que acabei o colegial, tomei gosto por estudar e resolvi seguir os estudos universitários. Queria continuar na área de Adm de Empresas, mas como naquela época (1995) começava-se a falar muito sobre globalização, resolvi optar por Comércio Exterior. De carona, tive que entrar no curso de inglês.
FdM: Qual foi seu primeiro emprego na área e o que fazia?
A.S.: Meu 1º emprego na área foi através de estágio. Entrei numa multinacional americana e meu trabalho era cuidar da importação de peças de reposição que a empresa trazia dos EUA para manutenção de equipamentos industriais. Eu não conhecia nada de Comércio Exterior, foi uma baita escola, pois comecei a tratar com despachantes aduaneiros (são eles que lidam com os fiscais da receita federal nos portos e aeroportos), comecei a ter contatos com fornecedores fora do Brasil e comecei a colocar em prática meu inglês escrito e falado.
FdM: E daí como chegou onde está hoje?
A.S.: Trabalhei bastante. E sempre procurei me desenvolver e estabelecer planos (metas, horizontes, chame como quiser) de médio prazo. Por exemplo: eu era estagiário, então meu plano para os próximos 2 anos era ser efetivado na empresa. Depois da efetivação, comecei a estudar espanhol e meu plano dos próximos 2 anos era me tornar fluente em espanhol e viajar para o exterior pela 1ª vez. Depois disso, eu queria ser promovido e ir para área comercial, para poder começar a viajar. Foi o que aconteceu, arrumei um novo emprego para ganhar mais e que me deu bagagem suficiente para entrar na empresa em que estou hoje. Há 2 anos atrás, percebi que era hora de me atualizar na área acadêmica e que eu precisava ter mais um idioma para me destacar no mercado de trabalho. Entrei então no curso de pós e comecei a estudar francês. Terminei o curso da pós e hoje falo francês fluentemente (cometo alguns erros ainda e por isso estou ainda estudando), mas fiz isso pensando na próxima etapa profissional e deu certo: fui promovido a Gerente a partir de 1º Julho deste ano.
FdM: Conte como é sua rotina de trabalho (o que faz, que horas acorda, que roupa usa...)
A.S.: Minha rotina é um pouco monótona quando estou no Brasil: vou ao escritório todos os dias das 09:00 às 18:00. Para isso, tenho que acordar cedo, usar roupa social (gravata muitas vezes), etc. Passo o dia todo num ambiente fechado, trabalhando no computador e no telefone.
FdM: O que você mais gosta no seu trabalho? E o que mais se orgulha?
A.S.: Gosto da possibilidade de ter contato com pessoas do mundo todo. Tenho orgulho das viagens, de ter conhecido diferentes lugares, de ter contribuído e trocado experiências com diversas pessoas de diferentes culturas, crenças, etc. Orgulho-me também de vender produtos brasileiros no exterior, o que apesar das dificuldades culturais que os brasileiros têm de entender o mundo, nossos produtos são competitivos e de boa qualidade. A indústria brasileira é bem vista mundo afora.
FdM: O que você menos gosta no seu trabalho?
A.S.: Da rotina. É difícil também viajar para o mundo todo, conhecer gente e mercados distintos, depois retornar ao Brasil e ter que lidar com pessoas que não estão nem abertas nem dispostas a entender a complexidade do mundo globalizado em que vivemos.
FdM: E na Faculdade, o que mais gostava e o que menos gostava?
A.S.: Eu gostava de estudar coisas que, apesar de não estarem diretamente ligadas a minha área ou profissão, acrescentavam muito conhecimento para mim como: filosofia, psicologia, etc. São coisas que a gente não aprende na escola normalmente. O que eu menos gostava eram os números; sempre detestei matemática, física, química. Por fim, eu não gostava de professor ruim! Mas infelizmente, maus profissionais existem em todos os lugares.
FdM: O que um jovem que queira seguir uma carreira como a sua precisa ter?
A.S.: Na minha área é necessário ter no mínimo domínio dos idiomas inglês e espanhol.
No mercado de trabalho em geral, é necessário se atualizar constantemente para valorizar o currículo. Muitas vezes o que aprendemos na escola ou universidade parece repetitivo, mas no fim sempre agrega valor. E reforça o currículo, sem dúvida.
Lembrete: Se quiser fazer outras perguntas para ele deixe nos comentários de Fome de Mundo. Esse blog é uma base de links e tem seus comentários fechados.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
ensaio sobre a cegueira
extraido do blog do tas
Hoje, no café da manhã, li na Folha um belo texto do Fernando Meirelles descrevendo o exato instante em que luzes se acendiam ao final da exibição especial de "Blindness" para Saramago, em Lisboa no último sábado. Agora, ao cair da tarde do mesmo dia, recebo o link da mesma cena. Bendita Internet! Nos traz de volta "ao vivo" para o mesmo instante através do olhar eletrônico sensível do Quico, filho do Fernando. Moleque travesso, nem nascido era quando essa nossa brincadeira de Olhar Eletrônico começava nos anos 80 (aliás, o link foi enviado por outro companheiro de travessuras na Olhar: Toniko Mello)Abaixo, o comentário do Fernando na Folha.
Encontro com Saramago em cinema de Lisboa
FERNANDO MEIRELLES ESPECIAL PARA A FOLHA
Depois de uma semana que pareceu uma verdadeira montanha russa emocional, saí de Cannes no sábado e fui para Lisboa mostrar o filme "Ensaio sobre a Cegueira" para o autor da história, José Saramago. Por meses, antecipei o quanto a sessão me deixaria ansioso -e não estava errado. Infelizmente, o cine São Jorge, que nos foi reservado, não tinha projeção digital, então foi improvisado um sistema para passarmos nossa fita. Pensei em desistir de mostrar o filme ao ver um teste da projeção, mas o escritor já estava na sala de espera e, em respeito ao compromisso, achei melhor ir em frente.Sentei-me ao seu lado, expliquei aos poucos amigos presentes que só havia legendas em francês e começamos a ver o filme. Sofri cada vez que uma imagem não aparecia ou que uma música mal soava. Ele assistiu ao filme todo mudo e sem reação nenhuma. Ao final da sessão, quando os créditos começaram a subir, sua mulher, Pilar, debruçou-se sobre Saramago e me agradeceu, emocionada. Silêncio ao meu lado. Antes de terminar os créditos principais, as luzes do cinema foram acesas, eu ousei olhar para o lado e vi que ele fitava a tela sem reação, como se estivesse interessado no nome dos assistentes de cenografia que passavam.Deu tudo errado, pensei. Toquei seu braço levemente e lhe falei que ele não precisava comentar nada naquele momento, mas, então, com uma voz embargada, ele me disse, pausadamente: "Fernando, eu me sinto tão feliz hoje, ao terminar de ver este filme, como quando acabei de escrever "O Ensaio sobre a Cegueira'". Apenas agradeci e ficamos ali quietos. Dois marmanjos segurando as próprias lágrimas em silêncio. Ele passou a mão nos olhos, disfarçando a sua. Pensei no meu pai. Emoção sólida, dessas que se pode cortar em fatias com uma faca. Num impulso, beijei sua testa. Na conversa e no jantar que se seguiram, ele disse que não considera o filme um espelho de seu trabalho e que nem poderia ser assim, pois cada pessoa tem uma sensibilidade diferente. Disse ter gostado da experiência de ver algo que conhecia, mas que, ao mesmo tempo, não conhecia. Falou que o filme não era perfeito, mas que nunca havia assistido a um filme perfeito. Comentou algumas imagens que o emocionaram especialmente e disse ter achado o nosso Cão das Lágrimas muito doce; preferia que fosse mais agressivo. Quando lhe contei sobre as críticas favoráveis e contrárias ao filme em Cannes, incluindo a da Folha, ele imediatamente lembrou e recontou aquela historinha do velho que vem puxando um burro montado por uma criança. Um passante vê aquilo e acha absurdo a criança estar montada enquanto um velho caminha, então eles invertem a posição. Outro passante cruza com o grupo e reclama da situação: "Como um adulto deixa uma criança a pé enquanto vai confortavelmente montado?".Então, os dois montam no burro, mas alguém acha aquilo uma crueldade com um animal tão pequeno. Finalmente, resolvem ambos carregar o burro nas costas, até que outro passante observa como são estúpidos por carregar o animal. E, enfim, o velho decide voltar para a primeira situação e parar de dar importância ao que dizem. "É isso que faço sempre", concluiu o escritor. Acabo de deixar José Saramago e sua mulher no Ministério da Cultura de Portugal, onde está sendo exibida uma retrospectiva de seu trabalho e sua vida. Houve uma pequena coletiva de imprensa ali, depois de visitarmos juntos a exposição. Meu filminho de menos de duas horas me pareceu muito insignificante ao ser colocado ao lado daquela obra de uma vida inteira. FERNANDO MEIRELLES é o diretor de "Ensaio sobre a Cegueira", "Cidade de Deus" (2002) e "O Jardineiro Fiel" (2005), entre outros
Hoje, no café da manhã, li na Folha um belo texto do Fernando Meirelles descrevendo o exato instante em que luzes se acendiam ao final da exibição especial de "Blindness" para Saramago, em Lisboa no último sábado. Agora, ao cair da tarde do mesmo dia, recebo o link da mesma cena. Bendita Internet! Nos traz de volta "ao vivo" para o mesmo instante através do olhar eletrônico sensível do Quico, filho do Fernando. Moleque travesso, nem nascido era quando essa nossa brincadeira de Olhar Eletrônico começava nos anos 80 (aliás, o link foi enviado por outro companheiro de travessuras na Olhar: Toniko Mello)Abaixo, o comentário do Fernando na Folha.
Encontro com Saramago em cinema de Lisboa
FERNANDO MEIRELLES ESPECIAL PARA A FOLHA
Depois de uma semana que pareceu uma verdadeira montanha russa emocional, saí de Cannes no sábado e fui para Lisboa mostrar o filme "Ensaio sobre a Cegueira" para o autor da história, José Saramago. Por meses, antecipei o quanto a sessão me deixaria ansioso -e não estava errado. Infelizmente, o cine São Jorge, que nos foi reservado, não tinha projeção digital, então foi improvisado um sistema para passarmos nossa fita. Pensei em desistir de mostrar o filme ao ver um teste da projeção, mas o escritor já estava na sala de espera e, em respeito ao compromisso, achei melhor ir em frente.Sentei-me ao seu lado, expliquei aos poucos amigos presentes que só havia legendas em francês e começamos a ver o filme. Sofri cada vez que uma imagem não aparecia ou que uma música mal soava. Ele assistiu ao filme todo mudo e sem reação nenhuma. Ao final da sessão, quando os créditos começaram a subir, sua mulher, Pilar, debruçou-se sobre Saramago e me agradeceu, emocionada. Silêncio ao meu lado. Antes de terminar os créditos principais, as luzes do cinema foram acesas, eu ousei olhar para o lado e vi que ele fitava a tela sem reação, como se estivesse interessado no nome dos assistentes de cenografia que passavam.Deu tudo errado, pensei. Toquei seu braço levemente e lhe falei que ele não precisava comentar nada naquele momento, mas, então, com uma voz embargada, ele me disse, pausadamente: "Fernando, eu me sinto tão feliz hoje, ao terminar de ver este filme, como quando acabei de escrever "O Ensaio sobre a Cegueira'". Apenas agradeci e ficamos ali quietos. Dois marmanjos segurando as próprias lágrimas em silêncio. Ele passou a mão nos olhos, disfarçando a sua. Pensei no meu pai. Emoção sólida, dessas que se pode cortar em fatias com uma faca. Num impulso, beijei sua testa. Na conversa e no jantar que se seguiram, ele disse que não considera o filme um espelho de seu trabalho e que nem poderia ser assim, pois cada pessoa tem uma sensibilidade diferente. Disse ter gostado da experiência de ver algo que conhecia, mas que, ao mesmo tempo, não conhecia. Falou que o filme não era perfeito, mas que nunca havia assistido a um filme perfeito. Comentou algumas imagens que o emocionaram especialmente e disse ter achado o nosso Cão das Lágrimas muito doce; preferia que fosse mais agressivo. Quando lhe contei sobre as críticas favoráveis e contrárias ao filme em Cannes, incluindo a da Folha, ele imediatamente lembrou e recontou aquela historinha do velho que vem puxando um burro montado por uma criança. Um passante vê aquilo e acha absurdo a criança estar montada enquanto um velho caminha, então eles invertem a posição. Outro passante cruza com o grupo e reclama da situação: "Como um adulto deixa uma criança a pé enquanto vai confortavelmente montado?".Então, os dois montam no burro, mas alguém acha aquilo uma crueldade com um animal tão pequeno. Finalmente, resolvem ambos carregar o burro nas costas, até que outro passante observa como são estúpidos por carregar o animal. E, enfim, o velho decide voltar para a primeira situação e parar de dar importância ao que dizem. "É isso que faço sempre", concluiu o escritor. Acabo de deixar José Saramago e sua mulher no Ministério da Cultura de Portugal, onde está sendo exibida uma retrospectiva de seu trabalho e sua vida. Houve uma pequena coletiva de imprensa ali, depois de visitarmos juntos a exposição. Meu filminho de menos de duas horas me pareceu muito insignificante ao ser colocado ao lado daquela obra de uma vida inteira. FERNANDO MEIRELLES é o diretor de "Ensaio sobre a Cegueira", "Cidade de Deus" (2002) e "O Jardineiro Fiel" (2005), entre outros
segunda-feira, 12 de maio de 2008
guerras pelo mundo
Extraído integralmente do blog do sérgio dávilla
Há hoje no mundo 30 guerras ou conflitos em andamento. É o maior número desde os anos 90, que foi uma das piores décadas recentes. Nos últimos anos, a tendência de queda deu lugar a um salto que se estabilizou nos atuais 30. Grande parte da culpa está com os Estados Unidos, responsáveis pelas guerras mais "midiáticas", a do Afeganistão e a do Iraque. Mas há outras, várias outras. A pior região do planeta não é o Oriente Médio, que leva a fama, mas a África, que não desperta tanto interesse.Os cálculos são do Departamento de Pesquisa de Conflitos e Paz da Universidade de Uppsala, na Suécia, autor do relatório "Estados em Conflitos Armados". Os pesquisadores dividem os eventos de acordo com sua natureza, que pode ser "Guerras e Conflitos Menores", categoria onde se encaixam Afeganistão e Iraque, "Conflito Não-Estatal" e "Violência Unilateral" -neste último se encaixam as Farc, por exemplo, e o brasileiro Comando Vermelho.Para chegar à categoria principal, eles passam o evento pelo filtro da definição da Fundação Prêmio Nobel, que banca parte do estudo. Guerra, diz a Nobel, é um conflito armado em que há pelo menos mil baixas militares em batalhas, onde ao menos uma das partes envolvidas é o governo de um Estado. A entidade reconhece que, se fosse mais elástica -500 mortes, por exemplo-, o número saltaria.Por que esse blablablá? Porque acabam de sair dois livros que relatam o cinqüentenário do símbolo da paz. Tão simples quanto as boas idéias, o círculo cortado ao meio com duas subdivisões na metade inferior é de 1958, embora só fosse ganhar as ruas e o mundo, para sempre, nas manifestações contra a Guerra do Vietnã, nos anos 60, quando também foi adotado pelo movimento hippie.Como contam Ken Kolsbun e Michael S. Sweeney em "Peace - The Biography of a Symbol" ("Paz - A Biografia de um Símbolo", National Geographic) e Barry Miles em "Peace - 50 Years of Protest" ("Paz - 50 Anos de Protesto", Reader's Digest), ele nasceu de uma necessidade. O artista gráfico britânico Gerald Holtom queria criar uma imagem para o movimento pelo desarmamento nuclear.A divisão britânica do grupo pretendia fazer uma marcha de Londres até Aldermaston, a 84 km da cidade, onde havia um centro de pesquisas nucleares. Era o auge da corrida por armas desse tipo, liderada pelos Estados Unidos e pela então União Soviética, mas também pelo Reino Unido e por outros países da Europa. Holtom queria algo forte, que as pessoas pudessem carregar em cartazes.Então, juntou o símbolo usado pela marinha no semáforo de duas bandeiras para a letra "n", uma figura com os dois braços para baixo, ao símbolo para a letra "d", uma figura com um braço erguido e o outro apontado para o solo, na verdade um traço vertical. Sobrepôs um ao outro e os envolveu num círculo. Nascia o ícone.As letras eram as iniciais para "nuclear disarmament" (desarmamento nuclear), do grupo Campaign for Nuclear Disarmament (CND). Holtom morreu no dia 18 de setembro de 1985, provavelmente aos 70 anos. O CND ainda existe. As armas nucleares também. E há 30 guerras e conflitos em andamento no mundo.
sábado, 26 de abril de 2008
Planejamento familiar e renda
Por ANTÔNIO GOIS
Publicado na FSP - 20/04/08
A mais nova pesquisa Datafolha sobre fecundidade mostra que mais de 50 anos depois da invenção da pílula anticoncepcional, quatro em cada dez gestações ocorridas no Brasil não foram planejadas. E, embora isso aconteça com mais freqüência entre os mais jovens (56%) e os mais pobres (44%), não é fenômeno exclusivo deles: entre os que estão no topo da pirâmide social, 34% tiveram filhos sem planejar.Cristiane Cabral, pesquisadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos, lembra que esses percentuais seriam ainda maiores se fossem consideradas as gestações que acabaram em aborto, que não foram contabilizadas pela pesquisa."É sempre importante ter acesso à informação, mas o aprendizado sobre o manejo contraceptivo se dá também na prática, a partir da experiência de cada um, na tentativa e erro. Imprevistos acabam acontecendo, em todas as faixas etárias ou de renda", afirma.A demógrafa Suzana Cavenaghi, da Ence (Escola Nacional de Ciências Estatísticas, do IBGE) e secretária-geral da Associação Latino-Americana de População, afirma, no entanto, que não se deve confundir gravidez não-planejada com não-desejada. "É diferente, porque pode-se desejar ter o filho após saber da gravidez", diz Suzana.O Datafolha perguntou também a pais e mães: "Se pudesse voltar no tempo, você teria o mesmo número de filhos, mais, menos ou nenhum?" A maioria dos entrevistados (60%) afirmou que faria escolhas diferentes: 24% teriam menos filhos, 21% teriam mais e 15% não teriam filhos.Para o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, também da Ence/IBGE, esse percentual de 15% de brasileiros que, se pudessem voltar atrás, não teriam tido filhos foi "a grande novidade revelada pela pesquisa Datafolha", feita em março.Ele considera o número elevado e chama a atenção para um dado da pesquisa: "Mesmo entre a população mais pobre e com curso médio, este número ficou igual ou acima de 15%." O índice é maior entre as mulheres (18%) e entre os mais jovens (31%, na faixa de 16 a 24 anos).Na população de menor renda, o percentual dos que teriam menos ou nenhum filho se pudessem voltar atrás supera o dos que teriam mais. Entre os mais ricos ocorre o inverso: os que disseram que teriam mais superam aqueles que afirmaram que gostariam de ter tido menos ou nenhum.O Datafolha mostra que os brasileiros têm, em média, 2,8 filhos. Na população com renda familiar inferior a dois salários mínimos, essa média chega a 3,1. No outro extremo (renda superior a dez salários), fica em 2,0. Pessoas com quatro filhos ou mais são minoria em todas as classes pesquisadas.
Publicado na FSP - 20/04/08
A mais nova pesquisa Datafolha sobre fecundidade mostra que mais de 50 anos depois da invenção da pílula anticoncepcional, quatro em cada dez gestações ocorridas no Brasil não foram planejadas. E, embora isso aconteça com mais freqüência entre os mais jovens (56%) e os mais pobres (44%), não é fenômeno exclusivo deles: entre os que estão no topo da pirâmide social, 34% tiveram filhos sem planejar.Cristiane Cabral, pesquisadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos, lembra que esses percentuais seriam ainda maiores se fossem consideradas as gestações que acabaram em aborto, que não foram contabilizadas pela pesquisa."É sempre importante ter acesso à informação, mas o aprendizado sobre o manejo contraceptivo se dá também na prática, a partir da experiência de cada um, na tentativa e erro. Imprevistos acabam acontecendo, em todas as faixas etárias ou de renda", afirma.A demógrafa Suzana Cavenaghi, da Ence (Escola Nacional de Ciências Estatísticas, do IBGE) e secretária-geral da Associação Latino-Americana de População, afirma, no entanto, que não se deve confundir gravidez não-planejada com não-desejada. "É diferente, porque pode-se desejar ter o filho após saber da gravidez", diz Suzana.O Datafolha perguntou também a pais e mães: "Se pudesse voltar no tempo, você teria o mesmo número de filhos, mais, menos ou nenhum?" A maioria dos entrevistados (60%) afirmou que faria escolhas diferentes: 24% teriam menos filhos, 21% teriam mais e 15% não teriam filhos.Para o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, também da Ence/IBGE, esse percentual de 15% de brasileiros que, se pudessem voltar atrás, não teriam tido filhos foi "a grande novidade revelada pela pesquisa Datafolha", feita em março.Ele considera o número elevado e chama a atenção para um dado da pesquisa: "Mesmo entre a população mais pobre e com curso médio, este número ficou igual ou acima de 15%." O índice é maior entre as mulheres (18%) e entre os mais jovens (31%, na faixa de 16 a 24 anos).Na população de menor renda, o percentual dos que teriam menos ou nenhum filho se pudessem voltar atrás supera o dos que teriam mais. Entre os mais ricos ocorre o inverso: os que disseram que teriam mais superam aqueles que afirmaram que gostariam de ter tido menos ou nenhum.O Datafolha mostra que os brasileiros têm, em média, 2,8 filhos. Na população com renda familiar inferior a dois salários mínimos, essa média chega a 3,1. No outro extremo (renda superior a dez salários), fica em 2,0. Pessoas com quatro filhos ou mais são minoria em todas as classes pesquisadas.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Terremotos no Brasil
Sampleado da uol
Por Ronaldo Decicino*Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Tremor na região Norte, em 2007, atingiu 6,1 graus na Escala Richter
Por muito tempo, acreditou-se que o Brasil estivesse a salvo dos terremotos por não estar sobre as bordas das placas tectônicas - o movimento dessas placas estão entre as principais causas dos terremotos.No entanto, sabe-se que os tremores podem ocorrer inclusive nas regiões denominadas "intraplacas", como é o caso brasileiro, situado no interior da Placa Sul-Americana. Nessas regiões, os tremores são mais suaves, menos intensos e dificilmente atingem 4,5 graus de magnitude. Os tremores que ocorrem em nosso país decorrem da existência de falhas (pequenas rachaduras) causadas pelo desgaste da placa tectônica ou são reflexos de terremotos com epicentro em outros países da América Latina. Ou seja, no Brasil os abalos sísmicos têm características diferentes dos terremotos que ocorrem, por exemplo, no Japão e nos Estados Unidos. Nesses locais, existe o encontro de duas ou mais placas tectônicas - e as falhas existentes entre elas são, normalmente, os locais onde acontecem os terremotos mais intensos.Embora a sismicidade ou atividade sísmica brasileira seja menos freqüente e bem menos intensa, não deixa de ser significativa e nem deve ser desprezada, pois em nosso país já ocorreram vários tremores com magnitude acima de 5,0 na Escala Richter, indicando que o risco sísmico não pode ser simplesmente ignorado.
Escala RichterA primeira Escala Richter apontou o grau zero para o menor terremoto passível de medição pelos instrumentos existentes à época. Atualmente, a sofisticação dos equipamentos tornou possível a detecção de tremores ainda menores do que os associados ao grau zero, e tem ocorrido a medição de terremotos de graus negativos.Teoricamente, a Escala Richter não possui limite. De acordo com o Centro de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos, aconteceram três terremotos com magnitude maior do que nove na Escala Richter desde que a medição começou a ser feita. De acordo com outras fontes, como a Enciclopédia Britânica, tal marca nunca foi alcançada.
Regiões brasileiras e abalos sísmicosNo Brasil, os tremores de terra só começaram a ser detectados com precisão a partir de 1968, quando houve a instalação de uma rede mundial de sismologia. Brasília foi escolhida para sediar o arranjo sismográfico da América do Sul. Há, atualmente, 40 estações sismográficas em todo o país, sendo que o aparelho mais potente é o mantido pela Universidade de Brasília.Há relatos de abalos sísmicos no Brasil desde o início do século 20. Segundo informações do "Mapa tectônico do Brasil", criado pela Universidade Federal de Minas Gerais, em nosso país existem 48 falhas, nas quais se concentram as ocorrências de terremotos.Ainda segundo dados levantados a partir da análise de mapas topográficos e geológicos, as regiões que apresentam o maior número de falhas são o Sudeste e o Nordeste, seguidas pelo Norte e Centro-Oeste, e, por último, o Sul. O Nordeste é a região que mais sofre com abalos sísmicos. O segundo ponto de maior índice de abalos sísmicos no Brasil é o Acre. No entanto, mesmo quem mora em outras regiões não deve se sentir imune a esse fenômeno natural.Embora grande parte dos sismos brasileiros seja de pequena magnitude (4,5 graus na Escala Richter), a história tem mostrado que, mesmo em "regiões tranqüilas" podem acontecer grandes terremotos. Apesar de não ser alarmante, o nível de sismicidade brasileira precisa ser considerado em determinados projetos de engenharia, como centrais nucleares, grandes barragens e outras construções de grande porte, principalmente nas construções situadas nas áreas de maior risco.
Alguns tremores de terra registrados no BrasilO maior terremoto que o país já teve ocorreu há mais de 50 anos, na Serra do Tombador, no Mato Grosso: atingiu 6,6 graus na Escala Richter. Mas há outros registros:
Mogi-Guaçu, São Paulo, 1922: 5,1 graus
Tubarão, Santa Catarina, 1939: 5,5 graus
Litoral de Vitória, Espírito Santo, 1955: 6,3 graus
Manaus, Amazonas, 1963: 5,1 graus
Noroeste do Mato Grosso do Sul, 1964: 5,4 graus
Pacajus, Ceará, 1980: 5,2 graus
Codajás, Amazonas, 1983: 5,5 graus
João Câmara, Rio Grande do Norte, 1986: 5,1 graus
João Câmara, Rio Grande do Norte, 1989: 5,0 graus
Plataforma, Rio Grande do Sul, 1990: 5,0 graus
Porto Gaúcho, Mato Grosso, 1998: 5,2 graus
Estado de Pernambuco: entre 2001 e 2005 foram registrados 1,5 mil tremores de terra de baixo impacto
Divisa entre Acre e Amazonas, 2007, 6,1 graus
Itacarambi, Minas Gerais, 09/12/2007: 4,9 graus (é o primeiro tremor da história do Brasil que provocou 1 morte, 5 feridos e varias casas destruídas).
Por Ronaldo Decicino*Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Tremor na região Norte, em 2007, atingiu 6,1 graus na Escala Richter
Por muito tempo, acreditou-se que o Brasil estivesse a salvo dos terremotos por não estar sobre as bordas das placas tectônicas - o movimento dessas placas estão entre as principais causas dos terremotos.No entanto, sabe-se que os tremores podem ocorrer inclusive nas regiões denominadas "intraplacas", como é o caso brasileiro, situado no interior da Placa Sul-Americana. Nessas regiões, os tremores são mais suaves, menos intensos e dificilmente atingem 4,5 graus de magnitude. Os tremores que ocorrem em nosso país decorrem da existência de falhas (pequenas rachaduras) causadas pelo desgaste da placa tectônica ou são reflexos de terremotos com epicentro em outros países da América Latina. Ou seja, no Brasil os abalos sísmicos têm características diferentes dos terremotos que ocorrem, por exemplo, no Japão e nos Estados Unidos. Nesses locais, existe o encontro de duas ou mais placas tectônicas - e as falhas existentes entre elas são, normalmente, os locais onde acontecem os terremotos mais intensos.Embora a sismicidade ou atividade sísmica brasileira seja menos freqüente e bem menos intensa, não deixa de ser significativa e nem deve ser desprezada, pois em nosso país já ocorreram vários tremores com magnitude acima de 5,0 na Escala Richter, indicando que o risco sísmico não pode ser simplesmente ignorado.
Escala RichterA primeira Escala Richter apontou o grau zero para o menor terremoto passível de medição pelos instrumentos existentes à época. Atualmente, a sofisticação dos equipamentos tornou possível a detecção de tremores ainda menores do que os associados ao grau zero, e tem ocorrido a medição de terremotos de graus negativos.Teoricamente, a Escala Richter não possui limite. De acordo com o Centro de Pesquisas Geológicas dos Estados Unidos, aconteceram três terremotos com magnitude maior do que nove na Escala Richter desde que a medição começou a ser feita. De acordo com outras fontes, como a Enciclopédia Britânica, tal marca nunca foi alcançada.
Regiões brasileiras e abalos sísmicosNo Brasil, os tremores de terra só começaram a ser detectados com precisão a partir de 1968, quando houve a instalação de uma rede mundial de sismologia. Brasília foi escolhida para sediar o arranjo sismográfico da América do Sul. Há, atualmente, 40 estações sismográficas em todo o país, sendo que o aparelho mais potente é o mantido pela Universidade de Brasília.Há relatos de abalos sísmicos no Brasil desde o início do século 20. Segundo informações do "Mapa tectônico do Brasil", criado pela Universidade Federal de Minas Gerais, em nosso país existem 48 falhas, nas quais se concentram as ocorrências de terremotos.Ainda segundo dados levantados a partir da análise de mapas topográficos e geológicos, as regiões que apresentam o maior número de falhas são o Sudeste e o Nordeste, seguidas pelo Norte e Centro-Oeste, e, por último, o Sul. O Nordeste é a região que mais sofre com abalos sísmicos. O segundo ponto de maior índice de abalos sísmicos no Brasil é o Acre. No entanto, mesmo quem mora em outras regiões não deve se sentir imune a esse fenômeno natural.Embora grande parte dos sismos brasileiros seja de pequena magnitude (4,5 graus na Escala Richter), a história tem mostrado que, mesmo em "regiões tranqüilas" podem acontecer grandes terremotos. Apesar de não ser alarmante, o nível de sismicidade brasileira precisa ser considerado em determinados projetos de engenharia, como centrais nucleares, grandes barragens e outras construções de grande porte, principalmente nas construções situadas nas áreas de maior risco.
Alguns tremores de terra registrados no BrasilO maior terremoto que o país já teve ocorreu há mais de 50 anos, na Serra do Tombador, no Mato Grosso: atingiu 6,6 graus na Escala Richter. Mas há outros registros:
Mogi-Guaçu, São Paulo, 1922: 5,1 graus
Tubarão, Santa Catarina, 1939: 5,5 graus
Litoral de Vitória, Espírito Santo, 1955: 6,3 graus
Manaus, Amazonas, 1963: 5,1 graus
Noroeste do Mato Grosso do Sul, 1964: 5,4 graus
Pacajus, Ceará, 1980: 5,2 graus
Codajás, Amazonas, 1983: 5,5 graus
João Câmara, Rio Grande do Norte, 1986: 5,1 graus
João Câmara, Rio Grande do Norte, 1989: 5,0 graus
Plataforma, Rio Grande do Sul, 1990: 5,0 graus
Porto Gaúcho, Mato Grosso, 1998: 5,2 graus
Estado de Pernambuco: entre 2001 e 2005 foram registrados 1,5 mil tremores de terra de baixo impacto
Divisa entre Acre e Amazonas, 2007, 6,1 graus
Itacarambi, Minas Gerais, 09/12/2007: 4,9 graus (é o primeiro tremor da história do Brasil que provocou 1 morte, 5 feridos e varias casas destruídas).
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